Natureza, e desde cedo

Repito: criança tem necessidade de natureza. O motivo? Estudos científicos afirmam que a natureza é importante para o desenvolvimento infantil em todos os seus aspectos: físico, emocional, intelectual, social e espiritual. Na infância, as atividades na natureza são, ainda, uma forma de terapia e prevenção de problemas de saúde.
Mas, de minha parte, digo que criança precisa de natureza por razão de felicidade. Que criança não gosta de correr na pracinha do bairro? Observar formigas, catar pedrinhas, sentir o perfume das flores, regar brotos, colher repolhos na horta?
Digo aos pais coisas que podem ser úteis: galho que vira espada, folha que vira refúgio. Contra o sedentarismo? Uma vida ativa, que permita subir em árvores, pular e dar cambalhota na grama… Pois tudo isso dá à criança a chance de se conhecer, movimentar o corpo, inventar brincadeiras, cair e levantar, descobrir o mundo como um lugar que encanta, assombra, diverte, ensina.
Então, quando olhamos para uma criança que cresce em contato com a natureza ou, ainda, cuja rotina implica passar boas horas do dia em casa em um quintal rico de natureza, simplesmente a notamos mais conectada com sua essência e, por isso, mais resiliente, mais saudável, mais contente.
Vou contar uma história que aconteceu de verdade. Sobre uma meninazinha de oito anos, que conheci em uma escola onde palestrei um assunto ligado à educação ambiental. Cumprido o compromisso, sentei-me em um banco perto do parquinho da escola. Enquanto comia um sanduíche, a meninazinha apareceu e perguntou:
“Você sabe o nome do cogumelo mais venenoso do mundo?”
“Não, não sei.”
Amanita phalloides, em português é chamado cicuta verde. Cresce junto a carvalhos e pinheiros na Europa.”
Lembrei-me logo de uma ousada aventureira. Vocês podem imaginar uma criança de oito anos falando lamelas, esporos venenosos, bosque de coníferas…
Continuamos a conversa e ela começou a falar do reino Fungi e emendou (sem respirar) que na Europa os cogumelos comestíveis são cultivados desde o século XVII.
Não aguentei e interrompi:
“Você gosta tanto assim de cogumelos?”
“Minha mãe é professora de ciências. Me deu os livros que eu pedi. Mas a maioria das minhas colegas de classe me acha esquisita porque prefiro botânica a celular…”
Compreendi então. O convívio com a natureza começara desde cedo. Uma meninazinha de carne e osso aprendendo no seu ritmo sobre o mundo natural….
Há muitas mães e pais que instigam nos filhos a inteligência naturalista. Mas descobrir a natureza como um brinquedo. Além disso, a criança que convive com o meio natural tanto desenvolve afinidade em relação à natureza como zela pelo mundo à sua volta, porque o considera como seu ambiente de pertencimento.
Quanto à meninazinha, fique tranquila. Está tudo certo com você. E, igual você, esperamos que as demais crianças descubram o mundo sem pavor ou indiferença e para crescerem respeitando a natureza.
Cariños, Eugenia Pickina

A única coisa de valor que podemos dar às crianças é o que somos, e não o que temos. Leo Buscaglia

Notinhas
Caminhadas em bosques/jardins ou cultivo de hortas são soluções simples que ajudam a criança que vive em apartamento a manter contato com a natureza. Há bons livros também que proporcionam o encantamento da criança com a natureza.
O déficit de natureza gera uma série de problemas às crianças: obesidade, depressão, transtorno de atenção e hiperatividade, problemas cognitivos.
Em casa, no dia a dia? Basta uma hortinha na varanda ou simplesmente fazer um justo esforço para levar o filho para brincar no parque.
As crianças devem ser estimuladas a explorarem a natureza, seja pelos pais/escola/autoridades.
Imagem: Michal Parxuchowski/Unsplash