Não esqueça das flores

Ser feliz é um exercício diário. Muitas vezes, o obstáculo à felicidade não é a realidade, mas a representação que fazemos dela. Uma mesma realidade pode ser percebida de maneiras distintas por duas pessoas: uma se felicita por ela, a outra fica infeliz. O dia e uma pedra na manhã; o dia, o sol e as abelhas.
De fato, são os pequenos gestos que nos dias difíceis (eles existem) criam alternativas e nos fazem mais flexíveis frente aos aborrecimentos, perante as dificuldades. Quanto a mim, considero que as flores sempre levam alegria aos ambientes abrumados, um foco de alívio na angústia, uma luz no pesar.
Na primavera, estação enriquecedora para as plantas, penso nas flores, e como um recurso inteligente/terapêutico. Reflito então sobre a necessidade de atualizar meu jardim. Crisântemos, hortênsias, íris, begônias – estas últimas nativas da Mata atlântica e que, por isso, se adaptam bem aos jardins das brasileiras e dos brasileiros…
Digo isso como um antídoto antecipado ao temor ou à tristeza. Penso nas flores, nas tagetes, suas pétalas que variam do amarelo intenso ao alaranjado com tonalidade fechada. Planta que precisa receber incidência do sol para florir, tal como cada um de nós nas horas em que nos pomos vulneráveis, confusos, ansiosos, enrolados em nossas crises, e ainda assim querendo o melhor, felizmente.
Usando o benefício da repetição: não esqueça das flores para o avivar de seu próprio bem-estar. Rosa, alisso, agapanto, jasmim, alamanda são espécies importantes em função da beleza, da elegância e também do contentamento.
Aqueles que com amor se dedicam a jardins compreendem que a felicidade é também uma questão de atenção e de respeito aos ritmos. Ou em poucas palavras, ser feliz depende de uma sabedoria cotidiana: tanto esforçar-se para não se deixar instalar nos aborrecimentos quanto procurar alegrar-se com os prazeres miúdos da vida – e aqui realmente cabem as flores, porque é de sua natureza provocar nossos sentidos, alterar de modo positivo nossa mente abrumada, despertando, por isso, nossa alegria, ampliando também nossas ternas memórias.

Nossa grande e gloriosa obra-prima é viver adequadamente. Montaigne

Notinha
Para viver bem, feliz, uma pessoa precisa de resiliência. E ser resiliente implica atitude positiva, regulação de emoções, habilidade de ver/encarar o fracasso, controle dos impactos do estresse, autoconfiança (ter autoestima/saber se respeitar). Assim, para manter a resiliência no dia a dia, procure: não resistir às mudanças (a vida é cíclica); cultivar o autoconhecimento (passe períodos consigo mesmo e se dedique a se conhecer de modo profundo e autêntico); conservar suas relações pessoais; fazer atividades físicas; manter contato com a natureza. Em caso de autoestima fragilizada, carências, emoções difíceis, não hesite: a terapia floral pode ajudá-lo/a a viver melhor, com mais consciência e autonomia.
Imagem: Ricardo Gomez/Unsplash