Viver em boa companhia

Enquanto nos tratamos mal continuamos reféns do medo, da comparação, da inércia, da infelicidade.

Viver bem, munido de capacidade para nos olharmos com amor e respeito, demanda que reflitamos com frequência sobre todas as coisas boas e bonitas que temos, evitando, por exemplo, insistir em seguir padrões impostos por uma sociedade que é desigual, contraditória e largamente influenciada por competição e futilidades.

Somos frágeis e muitas vezes nos sentimos impotentes, quem negaria? No entanto, em muitas situações cotidianas não nos enxergamos com clareza ou lançamos juízos equivocados sobre nós mesmos, a máscara em casa, no trabalho, o corpo reprimindo sofrimentos, o espinho enfiado no peito: e às vezes ele sangra.

Quando o amor próprio está prejudicado, tendemos a perceber o mundo a partir de uma perspectiva obscura. De uma forma ou de outra, projetamos nosso mal-estar sobre o que nos cerca, e acabamos nos concentrando mais no negativo do que no positivo da realidade.

A maneira como cuidamos de nós mesmos está diretamente relacionada com a nossa autoestima. Muitas vezes cuidamos com esmero do filho, do gato, do amigo, mas esquecemos de almoçar, de praticar atividade física, de dar valor a um projeto pessoal…

É sabido que a forma como uma pessoa se comunica consigo mesma é um indicativo importante sobre a autoestima. Se no dia a dia o nosso diálogo interno é baseado em autocensura ou em críticas negativas, a tendência é pouco a pouco nos transformamos em inimigos tenazes em vez de amigos que estimulam nosso crescimento e bem-estar.

Pensemos: se você insistir em criticar uma pessoa com sentenças como “você é feio”, “você é medroso,” “você é preguiçoso”, “você é culpado”… como essa pessoa se sentirá?

Começar a fazer mudanças na comunicação interior implica habituar-se a lançar-se perguntas do tipo “o que você diria a um amigo em uma situação de medo?” “Quais palavras de ânimo você diria a alguém que ama e que está em dificuldade no trabalho?” “Que ideias você diria a uma pessoa que confia e que está enfrentando uma grande perda?” Anote estas respostas em um caderno e comece a usá-las para manter uma linguagem intrapessoal mais positiva.

Apreciar quem somos é a base de uma vida criativa, saudável, resiliente.

Aprender a atuar no mundo conciliados com nossa forma de ser e treinar para ser capaz de avaliar-se com uma maior amabilidade e compaixão poderá aumentar nossa autoestima, ajudando-nos a viver à nossa maneira com ânimo e responsabilidade.

Em vez de estar constantemente se julgando e maldizendo, a partir de agora experimente avaliar-se com o mesmo carinho e respeito com o qual você trata alguém que ama muito…

Sem dúvida, quando nos tratamos com atenção, amor, compreensão, aceitando nossas singularidades, ainda que haja debilidades, ampliamos as possibilidades de fazer escolhas mais adequadas à nossa própria felicidade e, no mínimo, viveremos mais leves, saudáveis e alegres.
Cariños, Eugenia Pickina

5 minutos por dia – Meditação Metta (bondade amorosa)
No dia a dia, procure praticar essa meditação (a prática tem início com a intenção sincera de aumentar a compaixão por si mesmo de dentro para fora): visualize, no centro do peito, uma imagem de si mesmo (atual ou de como era quando criança). Se tiver dificuldade para fazer essa visualização, experimente mentalizar o seu nome escrito no caule de uma árvore frondosa. Ao terminar a visualização, inspirando e expirando lentamente, abra os olhos e repita três vezes para si mesmo: Que eu esteja seguro e protegido. Que eu esteja em paz. Que eu viva com tranquilidade e bondade.

Notinhas
Atitudes que favorecem a autoestima: policie os seus pensamentos negativos – passe o dia observando quando eles surgem e o que dizem para você; em um caderno liste três hábitos seus que o estimulam a se sentir saudável; crie uma ‘pasta de boas notícias’ e se acostume a colocar dentro dela tudo o que for lhe acontecendo de bom. Todo final de mês, abra a pasta e releia as mensagens; pense no seu dia a dia e elabore uma pequena lista sobre sua rotina. Isso ajudará a tomada de consciência sobre o que você realmente faz ou deixa de fazer; como vai a sua saúde espiritual? O que você tem feito para nutrir a sua alma?; compre flores para sua casa e cuide bem delas.
Imagem: Jordan Sanches/Unsplash