Ipês, árvores magníficas

A natureza não faz milagres; faz revelações. Carlos Drummond de Andrade

Na minha caminhada para o mercado passo por um frondejante ipê amarelo. Observei, ontem, que a árvore, curiosamente, estava florescendo. A beleza era tão comovente que fiquei ali parada, contemplando sua bela copa contra o céu sem nuvens, a manhã ligeiramente fria.

Amo as árvores, e os ipês de uma maneira especial. Conheci os ipês na minha infância, na fazendinha dos meus avós, o pasto queimado pela geada e, cercando a casa, os ipês agrupados, incendiando o dia de amarelo, que me enchia de espanto, gerando, nos adultos, o entusiasmo necessário para o enfrentamento das labutas diárias.

Agora, para mim, os ipês são um fenômeno urbano, destacando-se em meio a edifícios, casas, carros, ônibus, gente que  anda na rua e, muitas vezes,  distraída demais para notar a exuberância dessas árvores que parecem oriundas de outro mundo.

Quando vejo um ipê (e principalmente em flor), com força me vem o pensamento de que haverá um tempo em que as sociedades e a natureza conviverão em paz, conscientes as pessoas, e de todas os lugares, que tudo que vive, vive em rede, e é por isso que o mundo é tão diverso e tão bonito.

Palavra de origem tupi, que significa “árvore cascuda”, ipê  é o nome popular usado para designar espécies de árvores com características semelhantes de flores amarelas, brancas, rosas, roxas. Os ipês pertencem à rica família das Bignoniáceas. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o ipê amarelo – e da espécie “Tabebuia vellosoi” – a flor símbolo do Brasil.

Sem esquecer nossa conturbada época, nunca fez tanto sentido aderirmos à prática da esperança e, por isso, assumirmos determinados a tarefa de plantar  árvores – de crescimento rápido ou de crescimento lento. Mas, é importante não deixar de plantar os ipês, e sobretudo os amarelos, pensando naqueles que virão e também se admirarão com suas flores incendiando os meses que antecedem a primavera no Hemisfério Sul.
Cariños, Eugenia Pickina

Notinhas
Li, e sem me lembrar onde, que, em 1961,  o ex-presidente Jânio Quadros incentivou um projeto de lei que considerava o pau-brasil (a árvore) e o ipê amarelo (a flor) símbolos nacionais. Depois de muito pesquisar, achei a lei nº 6.607, de 7 de dezembro de 1978, que em seu artigo 1º determinou que a “leguminosa denominada pau-brasil (“Caesalpinia echinata”)” passou a ser “oficialmente declarada árvore nacional”. De outro lado, como uma apreciadora das árvores e uma autodidata (teimosa) de Botânica, realmente torço pelo ipê amarelo como a flor símbolo do Brasil.
Cf. Lorenzi, Harri. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. 4 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantaram, 2002, vol. 1.