Nas horas difíceis

Eu conheci a Maria Rita na primeira escola. Mudei de cidade ainda na infância e nos separamos.
No início da faculdade, quando cursava Letras, eu reencontrei a Maria Rita no campus. Ela estudava Agronomia, era solteira e tinha um filho pequeno. Reatamos espontaneamente a amizade, a alegria de compartilhar experiências de forma mansa e confiante.
A vida é feita de inúmeros momentos – fáceis e difíceis. O medo de não dar conta quando somos convocados pelas vicissitudes da vida, as dúvidas que brotam, a incerteza frente ao risco das desventuras.

Os momentos difíceis surgem

Em setembro, no último semestre da faculdade, a Maria Rita recebeu o diagnóstico de um câncer de mama. Passou dez dias fechada no apartamento sem falar com ninguém. Mandou o filho para a cidade dos pais, sua vida sacudida pelo assombro da notícia, o receio de não conseguir encarar a doença.

A força está dentro de nós

Em uma tarde, em frente à biblioteca da faculdade, encontrei a Maria Rita. Antes que falasse qualquer coisa, ela me abraçou. Contou que havia trancado o curso para fazer o tratamento com tranquilidade. Choramos. Não existe oposição entre amor por si e amor pelos outros. Nas horas difíceis podemos respirar fundo, confiar na profunda sabedoria da vida, contando também com o apoio daqueles que nos amam e torcem por nós.

Isso também passará

Na quinta sessão de quimioterapia, na saída do hospital, Maria Rita me contou que diariamente insistia por viver: “Embora o câncer coloque a realidade da morte diante de mim, eu não me entrego e apenas decido por viver, ciente de que isso também passará.”
Maria Rita venceu o câncer. Sarou. Terminou a faculdade. Quando o filho fez sete anos, ela conheceu o João e se casou. Mora em uma fazendinha no interior de São Paulo, e ela,  o marido e o filho produzem verduras orgânicas e, nos últimos anos, investem com entusiamo na criação de abelhas sem ferrão.

Uma postura otimista nos faz mais resilientes

Graças a minha amizade com a Maria Rita aprendi a importância de nutrir uma atitude positiva frente à adversidade. Hora ou outra entramos no círculo difícil da vida e, por conta disso, quanto mais nos ajudamos, segundo uma perspectiva otimista, mais fortes e conscientes nos tornamos dos tesouros de confiança e coragem escondidos em nosso próprio coração. E como o sol que não deixa de brilhar acima das nuvens, a sabedoria da vida guiará sempre os nossos passos, especialmente quando formos tomados pelas incertezas do caminho.
Cariños, Eugênia Pickina