Tristeza também ensina…

Nossos pensamentos e nossas crenças, como nossos estados de ânimo, orientam nossa relação com o mundo. Uma pessoa confiante, por exemplo, verá uma grande oportunidade numa mudança de emprego, enquanto uma pessoa pessimista será suscetível ao menor sinal crítico que confirmará sua negatividade.
Obviamente, cultivar pensamentos positivos e eliminar velhas crenças negativas são elementos essenciais na construção de uma vida feliz. Ainda assim uma vida feliz abre espaço para episódios infelizes.
Dona Ida, pessoa que me tratou com atenção e gentileza quando vivi em Campinas, é professora aposentada de uma escola de música da cidade. Pessoa por quem tenho muita admiração e carinho.
Dona Ida foi informada de que está com câncer. Ao que parece a doença está em estágio inicial. Dona Ida me contou que se sentiu profundamente triste. E seu primeiro pensamento foi: “como encarar uma coisa assim?”

A tristeza é uma emoção que precisa ser acolhida
A tristeza é uma emoção de carga negativa, mas é importante dar espaço a ela no lugar de encarcerá-la no nosso peito. Descobrir uma doença, terminar um relacionamento, perder o emprego, frustrar expectativas que criamos para nós mesmos ou para alguém, todas são situações desafiadoras, difíceis, que evocam naturalmente a tristeza…

Temos o direito de nos sentir tristes às vezes
Para todo mundo, sem exceção, às vezes as coisas simplesmente correm mal. Nas horas difíceis, quando nos sentimos insatisfeitos, frustrados, desorientados, temos o direito de nos sentir tristes, temos o direito de chorar, temos o direito de pedir fortaleza e apoio, pois é isso que também nos faz humanos.

Tristeza é oportunidade de reflexão e de preparação
Não podemos mudar o que acontece na vida – a realidade de um câncer, de uma demissão, de uma perda –, mas está dentro de nossa capacidade decidir como lidar com os acontecimentos. Ainda que tenhamos que nos preparar para encarar desafios e adversidades, estar triste às vezes é mais do que natural. No entanto, a tristeza, como emoção, possibilita um dos raros momentos de reflexão, criando uma oportunidade de autoconhecimento, de saber o que queremos, o que não queremos, do que gostamos, do que nos faz mal. E será com base nessa clareza, motivada pela tristeza, que poderemos estar mais de acordo com nosso ser profundo, ver as coisas como são, dedicando-nos com todas as forças ao aqui e agora.
Cariños, Eugênia Pickina

Notinha
Nós precisamos ser compreensivos e pacientes quando estamos passando por um momento impregnado pela tristeza. O contato com a natureza auxilia muito quando estamos nos sentindo infelizes. Há, ainda, um exercício que ajuda bastante: sente-se confortavelmente; sinta os pés plantados no chão, as costas alinhas com o pescoço e as mãos descansando no colo. Concentre-se na respiração. Permita que cada inspiração entre em seu corpo e se expanda enquanto ela durar – mas sem forçar nada. Depois, após uma pausa natural, solte todo ar. Faça este exercício até se sentir tranquilo. Depois, direcione o foco para a “causa da tristeza”- que pode ser relacionada à saúde, à perda de amizade, amor, morte de alguém… Diga em voz baixa: “Eu estou sentindo a tristeza de … (preencha a causa da tristeza). Comece com uma frase ou imagem simples e a mantenha na consciência. Fique com ela, sinta-a, perceba a perda, enfrente-a, mesmo que seja dolorosa… É possível que você só consiga fazer isso por alguns minutos. Respeite o seu tempo. Tire da mente a imagem ou o pensamento e volte o foco para a respiração. Repita isso enquanto estiver tomado pela tristeza. Pode anotar também o que lhe veio à mente em um caderno pessoal. Se a tristeza persistir e você notar que não consegue avançar, busque apoio especializado.