Escritinho mágico

Deixaram o meninozinho sozinho na sala,
e era um cercado grande de pedra e janela,
girando, coisas pendidas do teto, e lá fora
um céu de sonho.
O passarinho, tão solitário,
morava ali desde o verão, o Azulinho,
zunindo por dentro uma lembrança comovente,
certamente a saudade do vento.
Uma nuvem anêmona a chamá-lo subindo subindo?
O meninozinho não teve dúvida:
tirou o passarinho da dourada cela,
ele, o Grande Mágico,
salvou-o da gaiola,
a pura liberdade das Aves!
Eugênia Pickina

*Ninguém esqueça: hoje, infelizmente, muitas crianças com déficit de Natureza…