Ritmos e gratidão

Eu me lembro com clareza do sentimento de gratidão.
É um daqueles dias em que estou tentando lidar com um monte de coisas ao mesmo tempo: estou com dor de garganta, um texto sobre infância para terminar para um site, minha filha precisa de ajuda para fazer uma pesquisa de geografia, meu marido está viajando e meu pai quer que um documento seja enviado urgentemente para um cartório em outro estado.
No meio da tarde, saindo do correio, eu me lembrei que tinha uma reunião em uma escola às 18 horas, e me senti impaciente e desanimada, pois nesse dia, sentindo o desconforto da febre e sem me dar folga, eu só queria voltar para casa, tomar banho, vestir o pijama e dormir cedo.
Depois da reunião na escola, finalmente em casa, era importante fazer o jantar. Espiei o armário e não consegui pensar em nada. Lembrei então que tinha uma sopa congelada. Sopa de abóbora.
Ter uma feliz sopa de abóbora no freezer me trouxe à mente a época em que eu era criança e, na casa dos meus pais, contava com o apoio e a amizade profunda da Rosa. Simplicidade e gentileza, ela nos oferecia isso, principalmente quando servia sua comida deliciosa, iluminando nossas refeições com sua atitude generosa.
À mesa, frente à sopa de abóbora, ao sanduíche com salada que fiz para minha filha, o chá como parte da recompensa pelo dia extenuante, eu me senti realmente mais fortalecida. Fiz uma oração silenciosa de gratidão à Rosa, quem me ensinou a cozinhar com esmero e cuidado, dando espaço para o amor no instante de preparar o alimento…
No fundo, precisamos dia a dia dar o melhor de nós mesmos, mas, ao mesmo tempo, definir nosso próprio ritmo, sem abrir mão de desfrutar das pequenas alegrias e da convivência com aqueles que nos ajudam a ser feliz sem motivo algum. Pois isso é vital para cultivarmos o que há de belo e importante na vida.
Notas de viagem, Eugênia Pickina

Notinha
Para dar conta do dia, procure meditar, fazer exercício e se nutrir com alimentos saudáveis, cercando-se de ideias e pessoas inspiradoras. Se algo não funcionar ou você desanimar, experimente parar e respirar inalando e exalando o ar devagar e o faça por três vezes – num instante você vai se sentir melhor e começar a encarar as coisas de outra forma. Além disso, não esqueça: a perfeição é um mito e o que importa é viver aqui e agora.