Confiança

Terça-feira. 24 de setembro, primavera.
Acordo cedo, medito, me arrumo e faço o desjejum devagar. Um ser humano sereno será sereno por toda parte. Vou ter um dia longo de trabalho e um palestra para preparar. No estacionamento da escola, atendo a chamada de uma amiga-irmã que vive em um bonito pueblo na Espanha, quem diz: “Tenho medo de não dar conta.” Digo a ela: “Também tenho.”
De onde vem o medo?
Rubem Alves diz que o medo vem do futuro. Mas o futuro não existe – e ainda assim todos nós já experimentamos ao menos uma vez esse medo do que não existe… O poeta romano Estácio foi  assertivo quando disse que “na dúvida, o medo é o pior dos profetas”…
Em que se concentrar para aplacar o medo?
Sinceramente, um modo inteligente de parar de povoar nossa mente frágil com coisas perturbadoras ou assombrosas é colocar em prática duas atitudes: concentrar-se no presente, pois precisamos com o corpo e a mente viver em comunhão com o agora e sua potência inescrutável; e viver a aflição somente quando ela bater à porta, e, aqui, o trabalho interior é indispensável àquele que aspira a viver com confiança, encarando os desafios, mas também desfrutando de maneira alegre cada instante, sem inquietar-se por preocupações ou coisas que ainda não ocorreram…
Inspirando-me em atitudes de confiança, capazes de domar o medo, recordo à minha amiga-irmã um alerta de Sua Santidade, o Dalai Lama: “só existem dois dias durante o ano os quais não se pode fazer nada. Um deles se chama ontem, e o outro, amanhã. Portanto, hoje é o dia de amar, crescer, fazer e, principalmente, viver.”
No fim das contas, o ato de viver significa saber agir e não agir, mantendo-se confiante, maleável, com o coração e espírito sempre abertos.
Notas de viagem, Eugênia Pickina

Notinha
Quando alimentamos a confiança, naturalmente nossos medos e receios se abrandam e nos sentimos mais fortes e encorajados. O autocuidado aplicado à nossa parte espiritual estrutura com vigor nossa confiança. Meditação, estudo (leituras edificantes), prece, servir a pessoas (ou a uma causa social), silêncio e contato com natureza, por exemplo, são ferramentas que nos tornam espiritualmente mais fortes, em consequência mais confiantes, mais resilientes frente à existência, ao conhecido/desconhecido.
*A imagem revela uma flor que parece insignificante: “Forget-me-not”. Sem mencionar suas inúmeras qualidades, Forget-me-not (florais californianos) favorece, por exemplo, a resolução do luto não elaborado através dos anos e é bastante aconselhável para aqueles que meditam/praticam yoga. Ademais, Forget-me-not aporta claridade de pensamento e traz alívio para aqueles que sofrem de insônia/sonhos agitados (dormir com qualidade de sono é fundamental para um viver resiliente).