Pequenas mudanças…

Meu avô João sabia prever as condições do tempo sem fazer uso de equipamentos modernos. Para isso, ele se valia da direção do vento, da aparência das nuvens, observando com atenção a cor do dia,  a maneira como a lua nos espiava à noite do céu.
Ele também considerava a estação do ano, a condição das plantas, o comportamento dos animais na fazenda, aguçando os sentidos para predizer, por exemplo,  a iminência da chuva ou o risco da geada para a sua plantação…
Hoje a maioria vive nas cidades e muitos de nós, em razão da vida artificial e acelerada, mal olhamos para o céu, afastando-nos de um dos prazeres simples da vida: notar as pequenas mudanças…
Como uma prática diária, experimente se interessar pelas formas de vida ao seu redor: um ipê branco florido na esquina, flores delicadas crescendo na praça do bairro, aroma de alecrim que abunda no terreno vizinho à sua casa, o cheiro de chuva no entardecer, o vento varrendo parte do mundo no mês de agosto. Absorva ao máximo o mundo natural, indo, nesses momentos de apreciação, além do pensar e não pensar…
Pequenas mudanças estimulam nossa atenção, avivam nossos sentidos, renovam nossas emoções benéficas, ajudando-nos a desenvolver um gosto sensível e sincero pela vida…
Notas de viagem, Eugênia Pickina

Notinha
Muita gente tem medo da mudança… Mas tudo o que existe está em constante fluxo. Nós e o ambiente estamos sujeitos à impermanência, que guia todas as coisas. Não há nada a temer, então. Além disso, o apego (próprio à mente inflexível) só gera sofrimento. Lao Tsé ensinou: “se você está deprimido, você está vivendo no passado; se você está ansioso, você está vivendo no futuro; se você está em paz, você está vivendo no momento presente.”