Raiva da infelicidade

Na casa da Sara Hoffman pousou a esperança. Atraída pelo ciclo de baixa e para guiar a delicada mulher no enfrentamento da provação. E não a ilusória, mas a esperança obstinada e que nos faz dizer em voz alta: “Meu Deus, me dê a coragem…”
A vida é bonita e também é trágica, nos burlando impiedosa enquanto nos fazemos mais conscientes, menos volúveis à nossa vida normal, com o trabalho, o açúcar e o celular como anestésicos, a gente disfarçando a infelicidade com a tristeza ou o enfado contínuo, querendo alcançar a rosa sem o espinho.
Sara Hoffman encorajou-se frente à tenacidade da esperança. Enfrentou o divórcio, a rejeição da filha mais velha, a morte da expectativa ilusória de que alguém no futuro irá nos fazer felizes. Ela queria dignidade e liberdade. E nós também queremos, mas quantos de nós trocamos a liberdade pela convenção? Mas o pior é abafar a raiva amorosa, a única que pode salvar a vida. Sem essa raiva o que teria sido da esperança da Sara Hoffman? Raiva da infelicidade. Por que não?
Notas de viagem, Eugênia Pickina

Notinha
São as provações, os desafios, que nos fazem notar nossa grande força interior, dando-nos coragem para lutar e sobreviver às adversidades e às feridas. Hemingway tem razão quando afirma que “o mundo quebra os indivíduos. Mais tarde, alguns ficam mais fortes no lugar da fratura.” Contudo, atenção: você precisa conscientizar-se de que tem a força para superar os obstáculos e, com isso, dar (nova) chance a si mesmo. Para dar vigor a essa força que existe em você, procure fazer a meditação da árvore: basta fechar os olhos e visualizar uma árvore centenária em toda a sua força e vigor. Uma árvore estável e enraizada. Sinta essa árvore, admire-a, observe-a com cuidado e atenção. Você passa a ser essa árvore. Incorpore-a. Respire nela, longamente, e o tempo que desejar. Em seguida, abra os olhos. Faça esse exercício com regularidade. E em seu próximo passeio num parque, escolha a árvore que combina mais com você e adote-a. Abrace-a se for o caso.